quarta-feira, 25 de maio de 2022

 


pego na pika do poema, pego na pika,
pego nas esquinas o ópio da cura.
no rasgo da carne, o sol, vênus e marte

 


aconselho você não ler esse escrito
sob o risco de o faze-lo e abraçar nele, o poema,
uma das clássicas pragas do zé do caixão

 



novas ruas adentram-se

 

nos nós dos galhos
dos que não pussuem mais idade
cabe cachos de uvas moscatéis,
punhados de maracujás

 


o vinho da beterraba desce
em nossas gargantas de amantes,
a pátria dos vegetais nos brinda
com seu licor grená

 


meu quântico canto atravessa as bolhas,
as esferas, as bolas...
do que vou falar,
do que não sei se consigo falar,
donde ora estou ou compreendo ou acho que estou,
discorro algo entendido como geografia, espaço,
presença, não presença
mas o quântico canto, o meu,
se espalha pelos milhões de anos que o senhor homem
pisa na terra, nas terras,
na terra onde nascem e morrem plantas,
na terra, nas terras onde o meu olho e o teu olho
se encontram
-----------------------------------
edu planchêz pã maçã silattian

 


o que esse escriba, o que esse poeta quer dizer,
é o que ele quer dizer,
se compreendo, se compreendes,
sigamos observando com destreza
o que está sendo falado, escrito, desenhado,
impresso, cravado, cunhado, tatuado ou...
nas esculturas das palavras ora usadas,
ora sugeridas,
ora guardadas em panos,
em sedas perfumadas
-----------
edu planchêz pã maça silattian

 


a lapa de mim hiberna, jacarepaguá em mim hiberna,
hiberna os ursos que são homens e mulheres,
aqui nas noites do rio de janeiro
em que meu coração pede fogueiras
cá dos ossos meus mesmo aclamo o direito de mergulhar
nos dedos anéis de ouro abrilhantados por diamantes
que são os olhos de minha sincera amada
senhora
por todas as vidas,
minha canteira,
recite em frances e árabe
o um poema nosso
fria noite na jacarepaguá profunda de minha origem,
de nossa origem, rudes selvagens ladrões de frutas...
limão rosa abacate acerola alfa vaca amora pitanga manga,
um tucano bailou diante dos olhos sutis de catarina crystal
----------------
edu planchêz pã maçã silattian

 

no quintal da casa dum dos loucos do bairro dos freitas
---------------
pelo prazer de roubar perfumes
sugo os bicos dos seios da planta-fumaça
tal o fazem comigo em comunhão
meus adorados irmãos e irmãs aliados de caminhos,
aliados da fumaça, do fumo, do beque,
do baurete e da sauna
no quintal da casa dum dos loucos do bairro dos freitas,
sob o teto das laranjeiras floridas de flores e de chuvas,
juntos a sós com o pito do saci rodando
de boca a boca a louca brasa


( edu planchêz pã maçã silattian )

 


a porra da minha poesia é branca,
a porra da minha porra se espicha em arcos
sobre o umbigo donde surgem as crianças

 

é desse caos que sái o novo antônio eduardo, para a ação,
para o respiro do ar da tranquilidade,
vendo no que escrevo o rascunho de como estou,
as colinas sobem por dentro,
bem no centro da engrenagem
dragões e águias vosferam
a máquina apita mesmo eu pingando de caos,
mesmo eu carcando na goela um golaço de pitu ilegitimo
para ver a moça que dança no vermelho do sol
dar pulinhos no chuveiro sem arrancar a unha do dedão do pé

 



se esse poema não tiver cem bilhões
de likes por milézimos de segundos,
não será um poema que se entende com os algarítmos
de vosso cérebro que agora me pertence
se seu cérebro agora me pertence,
doravante estarás ápto para caminhar pelos fios elétricos
do meu apurado engenho
te digo, que nesse agora se converta numa caneta,
num redemoinho de pássaros canoros,
e...
------------
edu planchêz pã maça silattian morubixaba urbano




phoda-se eu e o pavarotti,
você, os santos e os não santos,
phoda-se em nossas bocas o wisky e a vodca,
a maconha, a broa e a bronha

sexta-feira, 6 de maio de 2022

 


comandado pelos estudos da flauta pã
ajudado pelos latinos irmãos professores
dedicados generosos músicos
----------
a intensa caminhada,
o estar aqui e agora amparado pelas estrelas,
pelas minhas estrelas,
pelas tuas estrelas maturadas nas locas dos peixes
----------
e eu sou muito poeta, totalmente poeta,
o rinoceronte das muitas escalas,
alpinista, sim, se não era até então resolvi ser,
e na montanha daqui de frente, e com meu amor,
construo na escalada um príncipe castelo
---------
Edu Planchêz Pã Maçã Silattian

 


poeta abissal subterrâneo
pontificie plêiades
capela vênus antares

 


os centuriões gritam,
bradam vozes raiadas de livros
e multidões ora reclusas

 


águas passadas ( edu planchêz maçã silattian )
----------------------
a parte que me cabe nesse corpo opaco
porque se foi o sol do dia para entrada do sol da noite,
acompanha o volume, o silêncio, o misterio-segredo,
a partitura da música gestada por chiquinha gonzaga
nas entranhas do passado presente futuro

eu, sempre eu e você, a brisa segue as setas, a cauda,
o bico da ave, o vento inverso,
a quilha do barco

arcas de limo se prendem nas pedras,
nos nódulos, nos mariscos,
nas correntes crescidas na noite dos tambores,
dos trovões do outro mundo, do novo mundo

águas vivas
águas mortas,
águas passadas

 


mais de uma vez eu entro na garrafa, nos raios do gargalo,
nas bolhas advindas do fermentar das uvas e do leite,
e pesco nas escamas da parede o assunto,
a cena e o calendário, o bacalhau, o azeite e as batatas
------------------
hoje e sempre no meu veleiro azul, o amor transborda
pelos bicos dos seios da musa de diamantes
que ora dança cá nessa frondosa saleta
-------------------
meu beat, meu passo, as jardas de tuas pernas,
percorrem o trajeto que há entre o globo da morte 
e o globo da vida,
no mar, o veleiro azul
-------------------
Edu Planchêz Pã Maçã Silattian

 o xamã absorve da gotícula de clorofila

o desenho completo do logos
e vê pelas telas da mente o momento exato
que os maias deixaram em suas naves o planeta,
e vê nos painéis observados pelos olhos ocultos nas sombras...
o oco das palavras amarelas que colorem o dia
e as noites de estrelas adocicadas pelo fogo
----------------
o xamã mergulha de galáxia inteira na molécula, nas moléculas,
nos artefatos que o vento usa para construir os homens
-----------
Edu planchêz Pã Maçã Silattian

 


eu sinto o universo em chamas, em cinzas,
em revoadas de seres de penas,
de penachos boreais

 


meu rock sabe escorrer tal esperma pelos intervalos das pernas
------------------------
a mão esquerda, agarra o cetro,
a direita,
a panela onde preparo a sopa de pólvora
e os docinhos

meu rock sabe escorrer tal esperma pelos intervalos das pernas

o olho caos nosso irmão além de nos lamber
declama no reino da testosterona
o poema índio
-------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 


ouvindo geraldinho azevedo
com um aperto no peito,
"dona da minha cabeça",
aqui no meu exílio, danço, dançamos na chuva,
hoje no caminhando da praça chalé
até o chão de nossa casa florida

e tudo que falam de mim é só falação,
doença dos que me invejam,
dos que nos invejam

ser dylan thomas é algo invejável mesmo,
compreendo
---------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 


crianças de rostos desenhados 
com urucum nos olham,
seus olhares expressam o longínquo,
o aqui e agora, o respirar o ar ancestral,
o falcão sobrevoando a planície

 


eu rei e súdito da fúria da grande arte, da grande justiça,
membro possante da grã ordem kavernista,
declaro ouvir das matas materiais e imateriais
o canto do louco pássaro villa lobos

 


tamanhas são as labaredas do mar,
monstruosas as línguas do fogaréu,
eu sem nada, 
sem parafusos nos dedos construtores
de poemas e canções

 


nos lábios da borboleta gigante cabe o oceano
sonhado pelo soldadinho de chumbo
que pertenceu a infância de meu pai

 


a fé no vento, na fase tetra-polar-
dos-cósmicos-cavalos-da-vida
do aqui e agora,
zarpamos para o futuro brilhante,
mesmo que algo em nós tenha temporariamente sumido,
mesmo que a avalanche dos que já morreram
apareça pelas calçadas em forma de chuva,
mesmo que as lâminas de todas as espadas
nos serre, nos reparta em mil postas,
em trilhões de esferas de vidro
---------
edu planchêz pã maçã silattian

 


respiro o mesmo projeto, o projeto de escrever e cantar
desde muito além desse hoje, nem sei o que dizer,
como falar que busquei, que busco o reconhecimento,
total, absoluta dedicação, mas até então apenas alguns me ouvem, 
me ouviram, leram o que produzo, o que produzi,
há a dor do desprezo, de pouco ou nada receber em troca;
tico santa cruz um dia me disse "tem artistas que já nascem póstumos" 
e olhando bem no fundo dos meus olhos...
tico, não estou morto, não nasci morto,
não é porque a indústria não abriu as portas
para a minha vasta obra que vivo sem valor,
que desisti de tudo,
mas te agradeço por tudo que me deste
--------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 


você não sabe não, no fim dos anos 70 eu trabalhava
num escritório do centro técnico aeroespacial
que ficava no subsolo do aeroporto santos dumond
e nos finais de semana e nos dias que que não tinha expediente,
rumava para o posto nove de ipanema,
ouvia dizer que lá era o ponto dos artistas,
sentava na areia na esperança de ver os meus ídolos,
e para a minha alegria logo na primeira ida ao posto nove
caetano veloso lá estava, magrinho, em carne e osso...
eu ficava ali encantado admirando o mestre poeta-cantor emocionado, 
estava ali o deus que eu admirava
e que tinha me dado tanta luz, tanto conhecimento
e a visão do ir além da manada dos normais
--------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 

rodeado de montanhas,
rodeado de avatares domésticos,
de doutores do samba,
estou em jacarepaguá reino de dalva de oliveira,
ginga, roberto ribeiro, cartola e zica, jacó do bandolim...
meu pai me dissera que frequentava a casa de jaco do bandolim,
que quando completei um ano tive peri riibeiro cantando
em minha primeva festa, mais tarde o encontraria
na altura dos anos que tenho,
juntamente com nonato buzar
e glad azevedo na ilha da gigóia
-----------------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 


QUANDO AS CRIANÇAS COMEÇAM A TE CHAMAR
DE VELHO DO SACO,
ESTÁ NA HORA DE TIRAR A BARBA
( MAS O VELHO-DO-SACO CONTINUA EM MIM
MESMO SEM BARBA,
É ALGO QUE ESTÁ ALÉM DA FIGURA PELUDA EX-PELUDA,
ESTÁ NO TRONCO DA ÁRVORE DE RIMAS,
NO TRONCO DO JEQUETIBA MAIORAL )
-----------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 


AQUABLAKE (O BANDO DO FIM DO MUNDO)

inicia sua turnê mundial
pq o novo sempre vem

 


chico e edu lobo nas pinturas que adornam os lábios da lona, 

beatriz, bardo estrela, 

do homem raso profundo imoral moral amoral

 


edu planchêz pã maçã silattian escravista de mulheres 
ditador barato explorador de talentos
raiz podre rosa acre e o que mais?
verme azulado subindo nas linhas da lua de fogo
pássaro filho de saci com uma arroba de maconha
nas curvas da massa cinzenta

 


grudado nas caras da estrela encarnada
para nos vossos jardins 
ovular filhos transparentes

 


as muitas faces dos dados
faces minhas e de minha mulher, exibem metáforas,
arquétipos, personas, personagens,
roldanas, engrenagens, seres híbridos,
vozes novíssimas alavancadas
pelos os que nos espiam do remoto passado,
entre uma nuvem e outra,
entre um fala e outra

 a purpurina dos astros gira em torno do vórtice

dos homens e das mulheres do clã
----------------------------
a purpurina dos astros gira em torno do vórtice
dos homens e das mulheres do clã,
tudo é gestado no cone dos olhos,
no cone do que parece ser impossível,
e eu digo que é impossível não ver nas nádegas
dos rios do não tempo as cores da vertigem

um braço, dois braços, mil e setecentos braços
de água e argila nas tintas da boca,
na bunda do mundo
de resto deixo que os vocábulos do infinito
se firmem no gelo do que penso,
do que não penso,
do que peço ao vento sideral

seres do clã, das indecentes artérias,
dos perigos e dos adventos
traçados com as palavras que chegam a esmo
-------------------
( edu planchêz pã maçã silattian )

 

acendo a candeia, o pavio da vela,
a boca do porro, a oração,
o roteiro da próxima película,
cena por cena sendo iluminada pelo farol
dos que aqui me ouvem,
eu também os ouço com o tímpanos,
com os captadores da guitarra de hércules

e o grande rock, e o pequeno rock,
e o blues de minha mãe,
derramam sobre os capítulos do papel,
clarões que irradiam esperança
de polo a polo
------
( edu planchêz pã silattian )

 

OS CANÁRIOS DO REINO DE JACAREPAGUÁ
NOS DIZEM PALAVRAS DE CANÁRIOS,
PALAVRAS DE SEMENTES E FLORES,
PALAVRAS DOS GRÃOS DA TERRA PRETA
QUE PRECISO PARA GERMINAR OS GIRASSÓIS,
OS MEUS, OS TEUS, OS DE ALLEN GINSBERG,
OS DE VAN GOGH

QUERO DO CHÃO, O CAPIM,
A ERVA DOS SONS MÁGICOS,
AS RAÍZES

( edu planchêz pã maçã silattian )