sábado, 13 de agosto de 2022

 


evoco da sangria da terra
os eixos dos raios da latitude norte rock

 


essa barba branca, esse ombro ora forte, 

muito forte sob as orientações de bayard tonelli blues maré

 



nas raizes das árvores,
nas raizes das urnas em que se guarda o que nunca foi ontem,
o que sempre picota nas compotas os fragmentos do pêssego
do nosso paladar supra aquariano sempre escorpião e sagitário
bora por nas rodelas do peito a nave de estrelas,
o embrionário sonho das ostras,
a arte dos que se movem pelos becos
ao som dos tambores da noite do fogo azul,
na noite dos encaracolados reinos
de nossos cabelos no cio do roxinol persa

( edu planchêz pã maçã silattian )



a porra dela veio da atemóia secular nascida
e revestida pelo tempo das caravanas incas,
das corredeiras de formigas vermelhas,
as que subiam e não subiam por nossas pernas de pura roça,
que phoda, que fogaréu é esse que vem pelas redes dos sonhos,
da noite dos sonhos das visagens...

( edu planchêz pã maçã silattian )

 


pesando as palavras na balança das linhas do papel,
das linhas de luzes digitais,
pesando as palavras com a ponta da língua

 


poeta assim como eu, poeta assim como jim morrinson,
poeta contido num jato de água-mãe, do peito-mãe,
das articulações do corpo na dança,
nos corredores de vegetação semi árida
imagem cor de rosa, cor de capim mimoso,
de sol meio-dia,
mormaço pepértuo, perpétua alegria
nos lagos do céu purpura de hedrix vou corrompendo a ferrugem
que herdei das coisas

 


o tempo passa, viva o tempo!
viva a oportunidade de correr com o tempo
a bordo desse corpo de carne e ossos
e sentimentos e sentidos nada mais que humanos,
humanóides, cidadino, aldeão, suburbano,
cara de cão, cara de pássaro condor,
de sabiá laranjeira e sanhaço, e urso, e gato do mato,
e anta de esgoto, ratazana cotidiana,
carrapato e pulga, bicho plantado no vaso da sala
nada além de ser um comedor de pão com ovo
tomando café amargo e suco de beterraba
com gengibre e limão taiti e mais umas pitadinhas de sal
para o bicho descer legal pela calha da garganta

( edu planchêz pã maçã silattian )

 

murucututu-tucunaré-tanajura-serpente sopradora-
cururu martelo-arara de bico branco-arara canindé-
pipira roxa-pintassilgo-araponga
e eu aqui cheio de medos, de arrepios,
bambú verde agitado pelo vento
( edu planchêz pã maçã silattian )




eu não escrevo poesia,
a poesia é as mãos e as pernas do cosmo nos amparando,
sem ela me desintegraria,
não estaria aqui falando o que falo

( edu planchêz pã maçã silattian )

 


somos apenas meros escribas
nas palavras do nosso mentor dailor varela,
acordei hoje com dores de cabeça,
enxaqueca ou algo similar,
nas vozes dos sensitivos não sei se é o fim do que vive,
dos que vivem, dos que engolem a lua,
dos que nunca observam a lua, namoram a lua,
namoram as cavidades formadas no encontrar de nossos corpos
perdidos de amor, de amores poemas ventrais
eu me amo, eu te amo, amo o perfume do teu sono de fada

( edu planchêz pã maçã silattian )