sexta-feira, 1 de abril de 2022

 


esse sou, calibrado de nós, de coisas tortas,
de amarrados submersos fincados no lôdo,
fincados no lôdo, eu e meus irmãos e irmãs de trajetos
meu traje nessa noite ainda noite é o de morcego-dragão,
o assobio dos marssupiais se mistura
aos movimentos sonoros soturnos da mãe da lua

 


e eu me degradiando com os esqueletos de um tempo,
com os perdigueiros,
com a oportunidade de nunca mais saber notícias
dos irmãos do que é velho,
do que não cabe mais

 


A RAPOSA DOURADA SILVESTRE

CAMINHA NAS LINHAS DA ESTRELA POLAR


RIOS ENERGETICOS
VINDOS DA LEI MÍSTICA,
ME FAZEM O FILHO DANÇARINO
DANÇA DE SHIVA
DANÇA DE SACI
DANÇA DE IRIS
BEIJO TEUS PÉS
BEIJAS MEUS PÉS
BEIJAMOS O MAR E A LAMA
NO CIO DA OSTRA
MADRE MADRE MADRE PÉROLA

 

O CONTO
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então,
o conto que quero contar
cabe num cesto de frutas,
num começo de estrada,
em toda a estrada
escute,
as vozes do que ainda não é
prontamente noite,
mas, caminhando a passos plenos
e bem ralentados
abrindo uma janela,
fechando uma porta,
moldando um rosto
para caber no próximo assunto
mas continuarei contando,
dizendo histórias,
composições bem honestas do que faço
com o tempo dado ao escrever,
ao sentar-se sobre a almofada lilaz
para anotar o que vai chegando,
o que nunca nega falas novas,
assuntos próximos e distantes
( edu planchêz )

 


A TERRA MOLHADA NOS CAPTA PELOS AROMAS DA CHUVA,
POSSO ESTAR ERRADO, POSSO PENSAR OUVIR PERFUMES,
POSSO ACOLHER PELAS CALHAS OS VOSSOS BRAÇOS E PERNAS
MINHA MÃE MOSTROU-ME UM DESENHO
ONDE A LUA ERA ENGOLIDA
PELA FORQUILHA DUMA RADIANTE ÁRVORE
POR SER FORTE ENTENDO QUE NO DIA DE HOJE DEVO ESTANCAR
TODOS OS SANGRAMENTOS E FICAR LIVRE DE PREOCUPAÇÕES

 


viajo num dragão chinês,
viajo num dragão,
na salamandra vestida de cisne

 


eu o poeta do martelo,
a espada precisa,
a flecha atirada por mim atravessa o continente,
vence rios, vence terras, atinge o pico mais alto dos andes

 


longe do preconceito, pretendo estar,
minha humanidade compreende ser a maçã uma fruta irmã
tal voce e eles e elas,
usando essas imagens, esse jogo de imagens,
esse padrão de compor versos,
solidifico nas colunas do eter sentimentos de pousar
olhos de araras nos beirais da casa

 


atitude de ornamentar as caras da casa
com as paletas que uso para mover no violão
o que existe de chico buarque em nós
vinde fado das dezoito e cinco da tarde sulamerica
do rio de janeiro das muitas lágrimas,
dos que sobem em árvores para pegar mangas,
dos que afundam nos precipicios do valão
golpeados covardemente pelos abutres das armadas

 


a estrela que manda na minha cabeça pulsa em meu inventivo ventre, pulsa no que acredito

 


aqui sem idade nenhuma, o passado já não existe,
o futuro ainda não chegou
kuon ganjo,
aqui e agora volto ao inicio,
ao mortal comum que há em todos,
que há em mim,
cascas de estrelas, casas de brilhantes,
a nova cidade se materializa
cercada de torres do tesouro

 

cascas de estrelas, casas de brilhantes,
a nova cidade se materializa
cercada de torres do tesouro

 kuon ganjo, aqui e agora volto ao inicio,

ao mortal comum que há em todos,
que há em mim

 

hoje ainda acordado
após ver meio que dormindo
o longa sobre elís regina,
em domingo de jazz,
em domingo de big band
carás-bandeira nadam nos atuais cânions
que se formaram nos arredores do rio são francisco,
e eu quero o poema,
a gema vinda das águas ardentes

 


neo nazifascistas digitais troteiam sem cartilhas pelos esqueletos do que sobrou da velhaca civilização ora morta

 


abre-se a janela da estrela de cinco pontas para que entremos no templo-nós-mesmo

 


de tanto mentir transformou-se numa poça de cerume, num esfarrapado

 


a realidade, a realidade matrix,
a realidade e a ilha da fantazia,
o espaço do desejo, o espaço

 


por sorte, tens na morte,
a oportunidade de se livrar das dividas, dos inimigos,
das obrigações de ter que comer, trabalhar e tomar banho
por sorte, tens na morte,
a oportunidade de se livrar dos gatos e dos ratos,
dos falsos amigos, dos amores vãos e das traições
por sorte, tens na morte,
uma grande amante

 


angela maria cantora do rádio voz amor
de minha mãe stella passos
de carvalho, e eu recorro aos afagos da poesia
para arrancar do sentimento o gigantesco espinho
respirar, não mais que respirar,
apenas provar das aragens de jacarepaguá
livre de qualquer pensamento,
de qualquer obrigação

 


costuras expostas,
pinturas que divido com os irmãos e irmãs,
letrinhas que vou unindo para que o comunicar aconteça

 


costuras expostas,
pinturas que divido com os irmãos e as irmãs,
letrinhas que vou unindo para que o comunicar aconteça
um poeta sem pátria, eu e os caracóis,
eu e joana francesa,
apenas sendo cinema vale continuar,
apenas montado nos raios da musica

 


uma cruz de cabos de cobre cruzando uma cruz de fumaça,
esse sou no terreno das tormentas da tarde dos sons de leo mandi

 


lanço essa luz-flexa de ardidas canções de corre-trecho
ao bardô ricola de paula irmão de trechos orgânicos
que só ele e eu podemos descrever, não com palavras,
só quem vive poderá compreender e responder essa sentença
sentado no talo da flor do cogumelo amanita

 



um cálice para bebermos o licor de sândalo com pessêgos, dois cálices para vertermos os olhos em olhos de vermute

 


um cálice para bebermos o licor de sândalo com pessêgos,
dois cálices para vertermos os olhos em olhos de vermute,
em olhos de vermute componho uma valsa

 


eu escritor mexendo nas teclas

 


e eu me degradiando com os esqueletos de um tempo,
com os perdigueiros,
com a oportunidade de nunca mais saber notícias
dos irmãos do que é velho,
do que não cabe mais

 


PÉS DE ARGILA, UNHAS DE AREIA,
CANAL DE PÁSSAROS ABERTO
NO CENTRO DA SOLA DO PÉ DIREITO
PÉ DE PINHA, PÉ DE PITANGA...
FOI ESSA CAMINHADA
DO LARGO DO MACHADO PARA A CINELÂNDIA
QUE TROUXE AS FLORES DA CASTANHA DE MACACO
PELAS RANHURAS DA RUA DA LAPA PASSEIO PÚBLICO
ESCOLA NACIONAL DE MÚSICA
ARCOS DA LAPA...
CIRCO VOADOR FUNDIÇÃO PROGRESSO CINE ODEON
AMARELINHO CINELÂNDIA...
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EDU PLANCHÊZ PÃ MAÇÃ SILATTIAN

 

queda de raios crus
sob o túneo
das ladrilhadas laranjas

 


NAS CURVAS DOS DÍNAMOS
DOADORES DE ENERGIAS TENTADORAS
COLOCO A CABEÇA

 


Mauro Neme, escuta, assim ao pedir sabemos quem realmente tem olhos, o vazio nos aproxima, a falta de, a falta sim, a solidão nunca, mesmo isolados fisicamente, o corpo, sabemos, não não se limita ao solido, lobsang rampa já nos mostrou isso em entre os mongens do tibet, somos preparados para escrever nos quadros brancos das pessoas a nova história, mesmo que saibamos nenhum outro idioma, o nosso dialeto se multiplica na nossa extrema experiencia de sobrevivencia. passamos por ratos, lacráias, cadáveres no andar de cima... execuções sumárias, amigos presos, amigos loucos nas ruas comendo merda lixo com as baratas, o assim o é carlos lago, alguém lembra dele, fala dele? é um irmão das letras que entrou num labirinto e não saiu...

 


hércules ( edu planchêz pã maçã silattian )
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eu sempre arte,
sempre astucioso diante do esculpir,
do coroar serpentes com tiaras egipcias,
do pular vulcões, do pular nos vulcões,
para nas sementes do que queima
aprender o novo alfabeto
mar aberto, rua aberta,
saíras de sete cores pousadas nos fios,
nas costas do novo dia
eu poeta da noite sem guerra,
do atraente,
do sabor e do perfume,
direi o que sempre foi dito,
o que tudo representa,
o que cabe na superficie de uma de suas unhas
num punhado de terra planto as sementes de pitomba,
planto o seleto café e a mandioca,
o abacateiro e a mangueira de hércules

 


NOS RASGOS, NOS TALHES DA CIGANA PARISIENSE
------------------- ( edu planchêz pã maçã silattian )
O QUE VOU DIZER AQUI SERÁ DITO APENAS AQUI,
NAS BARRAS DAS ROUPAS DO VENTO MAIS DO QUE ETERNO
VOU AMARRANDO AS CARAS DOS QUE AMO,
E EU AMO A VOSSA CARA,
A VOSSA CAPACIDADE DE EMITIR SONS HIPNÓTICOS
PELOS CAMPUS DA FRATERNIDADE
PELOS CAMPUS DA FRATERNIDADE VOS ÓLHO,
ÓLHO A PEDRA,
O OLHO DE TIGRE CULTUADO POR MINHA MULHER,
A ESMERALDA CONSTRUÍDA POR MISTER VICTOR HUGO
NOS RASGOS, NOS TALHES DA CIGANA PARISIENSE
RAJAGRIHA É O CENTRO DO QUE PENSO AGORA...
ERVA DO MATO MADRE,
GRAVETO NO BICO DO ANUM, GRAVETO,
FAGULHAS DE GRÃOS DE ARROZ,
DE GRÃOS DE TRIGO, GRÃOS

 


maçã ainda que maçã não mais que semente, não mais que flor tingida de sangue celestial, maçã de meu nome sendo devorada

 


maçã ainda que maçã não mais que semente,
não mais que flor tingida de sangue celestial,
maçã de meu nome sendo devorada
um pontinho surge no corpo do papel,
compreendo que seja uma letra,
uma pequena letra, um sinal
um sinal,
uma labareda que risca de fora a fora o aglomerado de pedras,
um anum carregando no bico gravetos,
anum esse que mora numa das canções de zé ramalho
e nas lembrança que trago da jacarepaguá arcáica
de meus dias de aprendiz mirim

 


O louco Rio de Janeiro caminha no vácuo,
nas lacunas do desmando,
a cidade abandonada finge não contar seus mortos,
a cidade sitiada conserva seus entes amontoados em gaiolas,
prisões mentais construidas pelos sem mentes,
monstrengos que nada conversam com o ser da poesia,
com o agente mágico das silabas cósmicas

 


minnie riperton é a voz,
o penhasco elétrico, raios e estilhaço,
ventania, céu escuro iluminado
pela arrebatada voz,
da mulher do agúdo profundo

 


EU POETA CANTOR EDU PLANCHÊZ PÃ MAÇÃ SILATTIAN,
ONTEM POETA, HOJE POETA, AMANHÃ MUITO MAIS.
HOJE, AGORA, AQUI, NADA ALÉM DAQUI,
NAS PLANTAS, NOS GOMOS DA FLOR,
NO EPICENTRO DA FAUNA E DA FLORA
SER POETA MAGNÂNIMO,
QUE VIVE EM MIM, QUE VIVE EM TI,
ACLAMANDO O JUSTO E O BELO
NAS NAVES-BORBOLETAS DA INTENSA METAMORFOSE
ACOMODAMOS NOSSA BAGAGEM...
A LUNETA E A CUIA

 


na poesia da putrefação, enterro um punhal de pétalas

 


um corpo sem cabeça, milhões de corpos sem nada,
destroçados pelos desprovidos de olhos...
ele nos ameaçou com suas bombas nucleares,
ele desconhece o coração da primavera,
ele não possui na real, coração
nos varais do anti tudo penduro tuas caras mais que mortas
na poesia da putrefação enterro um punhal de pétalas
rodam luzes assassinas na madrugada escura
dos que se escondem nos subterrâneos do metrô
desmoronam no mar geleiras antigas,
meu sentimento tem dificuldades de continuar escrevendo
sobre os horrores da guerra,
mas como me disse o padrinho dailor varela: “és escriba”
e sendo escriba mesmo sendo poeta devo continuar
um corpo sem cabeça, milhões de corpos sem nada,
destroçados pelos desprovidos de olhos...

 


eu ser vanguarda da testa de bisonte
metendo a perna nas paragens do mundo,
na forquila da árvore dos desejos
eu ciderela ungida com o mijo da moça
descrita por siba rabeca mestre ambrósio
numa canção encharcada de mijo
eu parte potente da uva vista
por um dos quatro gatos
de uma canção-y de marko andrade

 


EU POETA CANTOR EDU PLANCHÊZ PÃ MAÇÃ SILATTIAN,
ONTEM POETA, HOJE POETA, AMANHÃ MUITO MAIS.
HOJE, AGORA, AQUI, NADA ALÉM DAQUI,
NAS PLANTAS, NOS GOMOS DA FLOR,
NO EPICENTRO DA FAUNA E DA FLORA
SER POETA MAGNÂNIMO,
QUE VIVE EM MIM, QUE VIVE EM TI,
ACLAMANDO O JUSTO E O BELO
NAS NAVES-BORBOLETAS DA INTENSA METAMORFOSE
ACOMODAMOS NOSSA BAGAGEM...
A LUNETA E A CUIA

 


dois de março 2021 ( edu planchêz pã maçã silattian )
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egipcios e sumérios, brasileiros e persas...
por mim, pelos os povos, atravesso,
atravessamos os milhões de anos,
as enchentes, as secas,
as execelentes colheitas
aqui estamos, pendidos no tempo,
no momento histórico,
compondo com o corpo a história,
o histórico, o que está sendo escrito,
o que estou escrevendo,
o que escreves
contamos os mortos, contamos os vivos,
os que ainda pensam,
os que imitando carangueijos
caminham em direção a obscura idade média
penso atraido pelas estrelas do céu,
pelos livros desesperados, pelas pessoas desesperadas,
dos que por extremo materialismo
optam pelo o irresponsavel suicidio
por já serem mortos-vivos

 


02 de março de 2022, acho que estou em silêncio, que sou o silêncio, mesmo que grite, que ouça gritos

 


é o grand finale dos que se negam olhar
para as nervuras da lua ( edu planchêz pã maçã silattian )
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02 de março de 2022, acho que estou em silêncio,
que sou o silêncio, mesmo que grite, que ouça gritos,
mesmo que abasteça a mente de explosões,
de rock in roll que não é rock in roll,
de sangue que não é sangue,
de imagens que destroem, de caldeiras ferventes,
de imbecis que acreditam em mitos toscos
o corpo dói,
o calor do rio de janeiro ultrapassa
quase todos os limites,
o mar está para peixes mas não está para humanos,
os ponteiros do relógio de vênus tocam no meio-dia,
os meus ponteiros saltitam na lama e nas areias do fim,
é o grand finale dos que se negam olhar para as nervuras da lua.