sexta-feira, 1 de abril de 2022

 


fico tentando escapar do escrever,
do escrever-se,
a treva estica uma de suas pernas para que eu caia,
treva minha mesmo,
vinda de mim mesmo,
noutros dias, não tão outros assim
( dia desses rezava no sanatório da tijuca
amarrado a uma cama numa solitária cheia de grades,
sendo que a grade-mor era eu mesmo,
fui deixando meus ouros nos cochos,
nos rostos odiados e amados,
morri, quase estraçalhei os neurônios

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